Decidir-se pode se tornar o pior pesadelo para qualquer um, principalmente quando sabemos que isso muda nossa vida ou a vida de quem nos rodeia. Terminei quase agora de ler Dom Casmurro, sem dúvida, o maior clássico de Machado de Assis. A traição de Capitu é o caso mais discutido quando se lê essa obra. E seus olhos de ressaca, tão buscados. Entretanto eu venho aqui por em questão algo: será que às vezes não vale mais ficar com a ilusão que nos deixa feliz do que buscar uma verdade que nos machucaria?
Bentinho não teria um final mais grandioso, de grande advogado e ex-seminarista se tivesse apenas requerido o amor de Ezequiel, seu filho, em vez de tentar buscar explicação para sua semelhança com Escobar? Pois bem, a obra machadiana é aberta por estilo, a conclusão é nossa, a história é nossa, deixa-se do autor no momento que começa-se Do livro.
Giramos em torno de tomar decisões. Mas como saber se são as certas? Talvez as que tragam os olhos de ressaca.
So Unsure
Só as cores, quem sabe
“Palavras: que estranha potência a vossa”
Volto outra vez a usar a frase de Cecília Meirelles.
As palavras têm uma força inexplicável, isso é realmente irrevogável. Mas eu nunca pensei no quão destruidoras elas podem ser. E quão edificantes.
Não consigo imaginar como um livro pode ter ajudado tanta gente, ou como um conto de pai-para-filho pode ter unido uma tribo. Ou ainda como pode ter levado pessoas a fazerem o que não deviam, ou o que não fariam se não estivessem tão iludidas.
Descobrimos muitas coisas com o tempo, com os livros, com as músicas.
Descobrimo-nos na descoberta. Vemo-nos pelas costas no caminho da felicidade, da angústia e da saudade. “Quem é aquele correndo para a vida?” Você… ou eu, ou qualquer pessoa que tenha a capacidade de ver que está evoluindo, crescendo, vivendo e acima de tudo descobrindo mais uma vez.
Talvez devêssemos esquecer as dores maiores: o menor dos prazeres as curam. Enfim…
O Esforço Pessoal
Desde pequenos temos que receber goela abaixo diversas idéias que a princípio nos parecem irredutíveis. Uma delas é: a causa da diferença social no Brasil é 100% por falta de oportunidade. Ou ainda pior: o seu futuro é decidido por onde você nasce, onde estuda e as oportunidades que recebe.
Muitas pessoas que nascem na chamada classe C devem acomodar-se e curvar-se já que tem que estudar em escolas públicas e não podem vencer na vida. Não. Todos nós podemos. Eu digo com sinceridade que 60% do que somos vêm de nosso esforço, não de oportunidades. É claro que ainda sofremos com a diferença de níveis de ensino, de ofertas de emprego e por sempre haver uma fina camada que dividi os mais ricos. Mas somos capazes de nos movermos, de lutarmos e na nossa lide vencermos.
Muitos dizem “mas eu estudei em escola pública” ou “nasci numa família pobre”… o seu esforço supera tudo isso. O Ser humano é individual acima do coletivo porque todo coletivismo veio de um único ser, mesmo que esse ser tenho sido o Deus. Por isso qualquer regra aparentemente imposta por um grupo social pode ser superada ou transposta pelo indivíduo uma vez que ele seja batalhador.
Não pensem que aqui quero justificar a desigualdade no Brasil, mas apenas quero dismistificar o que muitos acham sobre as pessoas de maior condição social: elas lutaram. Acima de tudo batalharam. Justo será o mundo em que, finalmente, 100% do que somos seja definido por nossa responsabilidade e não por meio de castas ou por heranças e acomodação.
Aliás, a acomodação é o marco de tudo isso… NÃO, não é sempre culpa do Estado, ou culpa dos ricos ou culpa do sitema… a culpa pode ter sido sua.
“O silêncio é a profunda noite secreta do mundo”
Por enquanto
As tradições são correntes de puro nada que ferem mais que aço. Mancham e atrapalham a maior execução que o ser humano pode adotar por ser justamente humano: pensar. E não apenas isso: SOMOS IDÉIAS, somos movidos por elas. Idéias em acordar, em tomar banho, em fazer o café (ou não fazê-lo), em ser decidido a crer numa doutrina ou de idealizar que a morte nos traz a vida e que a vida é apenas causa da morte. Somos feitos delas a toda hora, todo instante por mais instante que seja. Mas para que tudo isso? Só para mostrar a inquietude do estudo. Da sede de conhecimento. De tentar ser alguém na vida e ser alguém de respeito.
Quebrando as correntes de nada, aliás, descobrindo seu material vazio descobrimos e entendemos os fatos de nossas vidas e como lidar com elas. O sentido disso tudo é passageiro… adapta-se a sua situação e sua mentalidade.
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